Escolhendo Com O Intestino.

               No Brasil, pessoas escolhem com o intestino e confirmam com o reto. Pouco importa grau de instrução, religião, cidade, estado, idade ou qualquer critério como tentativa de justificar as escolhas realizadas. A quantidade de tolices aceitas como verdades, se possível fosse converter em dinheiro, nos deixaria extremamente ricos! Para conquistar o voto de confiança, os “parasitas” sabem utilizar desde ações teatrais, passando por apelos religiosos, incluindo mentiras com estatísticas, até falácias já desconstruídas ou mesmo o mais puro marketing ilusionista. Passa o tempo e vai alguém com o intestino escolher figuras bizarras, alimentando aquilo que vem a ser o poderoso sistema de controle social.

               Tolice acreditar que isso seja fruto da falta de instrução, falta de orientação, falta de experiência, falta de qualquer outra coisa. A cada dois anos (atualmente) ocorre uma chance de testar, por exemplo, o alcance da “educação política” e os resultados comprovam que não há progressos. Também não se trata de falta de investimentos, publicidade ou incentivos e é elevada a soma de valores aplicados nas tentativas de preparar melhor os cidadãos. Torna-se muito relevante o total de dinheiro gasto em tentativas de deslocamento do raciocínio para o cérebro. Estamos na tolice inegável de desperdiçar tempo e recursos na tentativa de explicar a quem não quer entender*.

               É com o intestino. As escolhas são baseadas em atração sentimental, aqueles que contam a melhor mentirinha, serão os eleitos, mesmo após a era digital, onde o acesso à informação é facilitado até aos considerados “baixa renda”. Em uma geração anterior, acreditava-se que o analfabetismo, literal ou funcional, seria a causa das péssimas escolhas. Correu o tempo e a redução deste fator é nítida, mas, a evolução não acompanhou e lá está uma escolha confirmada com o reto. – Em tempo, uso estes termos (intestino e reto) de forma irônica e figurativa. – Mas, qual a outra forma de entender, como é possível um ser humano dotado de cérebro em plena capacidade, não perceber as falcatruas, encenações e mentiras tão evidentes?

               Neste momento um “político” foi pego em ato ilícito comprovado, envolvendo dezenas de pessoas ligadas a ele e já sinalizado que é apenas uma pequena parte de um esquema criminoso com características de máfia, com valores impressionantes e a mais inacreditável falta de vergonha. Obviamente, o grupo criminoso nega os fatos e contesta as provas. Alega perseguição política dos adversários, faz o possível para convencer os seus seguidores que tudo é um plano para afastá-los do combate a corrupção e ao sistema. Os responsáveis pelo marketing das pessoas deste grupo já providenciaram o discurso comum, aparições em público em cenas com apelo a humildade e santidade dos envolvidos, com produção de imagens e falas dignas de comparação aos roteiros de filmes. As provas e testemunhas mais contundentes são eliminadas a tempo, antes que seja cumprido o rito jurídico obrigatório e até novas corrupções aos guardiões de dados são realizadas, afinal quem garante que pessoas nas big techs, bancos ou instituições federais sejam absolutamente incorruptíveis? O resultado é uma inexplicável reação de compaixão nos seguidores e o convencimento completo da pureza e inocência dos acusados. Intestinal.

               Por isso considerar a tentativa de instruir, educar e treinar as pessoas para não cair nestas criações bizarras é pura tolice. Perdemos esta luta. Perdemos a guerra. Aos que incrédulos assistem ao poder de convencimento que estes vermes utilizam para conquistar o intestino dos eleitores, faço um alerta para que cessem a fonte de recursos gastos na tolice de tentar reverter o quadro.  Somente um ato terá força de parar o sistema atual, mas, pode parecer simples demais para ser aplicado; construir a partir do zero. Bases diferentes, estruturas diferentes, formatos diferentes e conceitos diferentes também. Qualquer tentativa de “salvar” o que está em andamento, será pura tolice. E como fazer diferente? Também é simples demais para ser aceito de imediato, basta começar no nível mais baixo, não no reto nem no intestino, mas, no cérebro.

               Não entendeu? Talvez seja necessário simplificar o teu raciocínio. Na prática, faça a tua próxima escolha sem aplicar a emoção, seja pura razão. É um teste somente, valido para qualquer escolha, não sendo necessário repetir para tudo desta forma, apenas exercite uma vez como experiência.  É inegável que terás a resposta de como fazer diferente e como o teu start vai influenciar o cérebro de outros semelhantes, formando uma rede de escolhas racionais, atraindo até os acostumados a escolher com o intestino.

* Não sei de quem é esta frase para fazer citação.

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