{"id":390,"date":"2025-08-10T16:33:35","date_gmt":"2025-08-10T19:33:35","guid":{"rendered":"https:\/\/antitolices.com.br\/?p=390"},"modified":"2025-08-10T16:33:35","modified_gmt":"2025-08-10T19:33:35","slug":"malcriados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antitolices.com.br\/?p=390","title":{"rendered":"Malcriados"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Malcriado foi durante muito tempo o jeito de se referir a uma crian\u00e7a \u201csem modos\u201d, de \u201cboca suja\u201d ou que cometia pequenas maldades, fazia o que era considerado ruim para uma crian\u00e7a fazer. Sem a inten\u00e7\u00e3o de julgar certo ou errado, apenas registrando, os malcriados recebiam diferentes tipos de \u201ccorretivos\u201d, desde uns tapas, chineladas at\u00e9 castigos, como n\u00e3o sair de casa para brincar com os amigos, ter que ler alguma coisa ou ficar sem doces, sempre algo punitivo e a crit\u00e9rio da criatividade dos parentes. Com a evolu\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o dos filhos, com o ineg\u00e1vel melhor acesso a escolas e at\u00e9 terapias, recebemos na sociedade crian\u00e7as, jovens e adultos mais qualificados e bem-criados. A d\u00favida \u00e9 o que fazer com as exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Para ilustrar o contexto, em dois casos reais temos exemplos bem claros do que s\u00e3o os malcriados atuais e como est\u00e3o distantes do que era desejado em evolu\u00e7\u00e3o. O primeiro: \u00a0um jovem de apar\u00eancia com n\u00e3o mais que trinta anos, pilotando moto dessas chamadas de esportivas, \u00e9 obrigado a parar em um sem\u00e1foro e permanece acelerando mesmo sem marcha engrenada. Era o primeiro da fica e ao sinal verde, dispara com toda pot\u00eancia, atingindo alta velocidade. Cem metros a frente, um ve\u00edculo estava atravessando a rua para entrar em um posto de combust\u00edveis. Nem mesmo com superpoderes, o motorista do carro poderia ver a moto a dist\u00e2ncia e no susto consegue ao menos desviar um pouco. O tosco piloto, trava roda e desliza pela lateral do carro, arrancando espelho e riscando a lataria. Escapa da morte, gra\u00e7as a habilidade do motorista do carro. Mas, ao conseguir parar, faz a volta e vai discutir com o motorista do carro. As imagens das c\u00e2meras no local, apontam claramente que a velocidade da moto era alta demais, mesmo assim, o sujeito n\u00e3o foi capaz de entender seu erro, as consequ\u00eancias do risco assumido, a culpa, nada, na cabe\u00e7a dele, estaria cem por cento certo e foi o carro que o atrapalhou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0O segundo: em um desses apartamentos populares, de um quarto sala e cozinha conjugados, um casal muito jovem, ainda sem completar vinte e cinco anos, mora com um filho que se aproxima dos dois anos, mas, n\u00e3o fala, est\u00e1 come\u00e7ando com pap\u00e1 ou mam\u00e1 e sua comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s de gritos agudos e resmungos em dialeto pr\u00f3prio das crian\u00e7as nesta fase. O casal acha normal chegar ap\u00f3s vinte e tr\u00eas horas e com a crian\u00e7a \u201cacesa\u201d, acha normal jogar bola no apartamento, brincar e deixar o menino ser feliz com seus gritos e resmungos. Nestes apartamentos, a parede que faz a divis\u00e3o entre unidades \u00e9 meramente simb\u00f3lica, quem estiver do outro lado, em hor\u00e1rio de sil\u00eancio, vai ouvir o teor de conversas, a dura\u00e7\u00e3o e o tom da flatul\u00eancia, o que estiver na televis\u00e3o e tudo mais relativo a sons vindos do vizinho, incluindo o momento da safadeza, do aiaiaiai uiuiuiui. No apartamento ao lado do casal, tenta dormir um trabalhador que precisa despertar \u00e0s seis horas do dia seguinte. Perdendo a paci\u00eancia, este resolve sinalizar o abuso ao casal, batendo tr\u00eas vezes na parede. Para surpresa, o jovem papai e esposo, tamb\u00e9m bate na parede, xingando e em alto e bom som, resolve atribuir a reclama\u00e7\u00e3o do trabalhador com frases est\u00fapidas, supondo que a reclama\u00e7\u00e3o seria por este n\u00e3o ter bebido ou ter algum dist\u00farbio mental. O pseudomachinho, escapa de levar uma sova, pela sorte da desist\u00eancia do agredido mesmo j\u00e1 estando no corredor. Sorte e ajudinha de outro vizinho, que s\u00f3 por ter aberto a porta naquele momento, ajudou a motivar a desist\u00eancia. N\u00e3o escapou da parte jur\u00eddica, n\u00e3o havia s\u00edndico no pr\u00e9dio, mas, houve registros da pr\u00e1tica recorrente do casal e seu ainda beb\u00ea, em \u00e1udios, v\u00eddeos e boletim de ocorr\u00eancia. Na cabe\u00e7a do malcriado, mesmo passando das vinte e tr\u00eas horas, mesmo havendo regras claras de conviv\u00eancia e normas de condom\u00ednios, ele achou normal reagir, xingar, ofender, retrucar. Para ele nada de errado em al\u00e9m de faltar com respeito ao b\u00e1sico, aumentar o conflito com atitude delinquente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Nos dois casos, a idade dos envolvidos \u00e9 da faixa que deveria apresentar os frutos da evolu\u00e7\u00e3o antes citada na cria\u00e7\u00e3o dos filhos. Se houve falhas ou se em outros casos semelhantes vamos considerar como exce\u00e7\u00f5es, de qualquer modo \u00e9 tolice simplesmente fechar os olhos, deixar nas m\u00e3os da natureza a reabilita\u00e7\u00e3o ou o diferente destino com o passar do tempo. As consequ\u00eancias s\u00e3o bem maiores do que danos materiais em um carro ou indeniza\u00e7\u00f5es por inj\u00faria, difama\u00e7\u00e3o, agress\u00f5es a honra e moral. Basta um n\u00famero relativamente pequeno destas supostas exce\u00e7\u00f5es, para um estrago relativamente grande no conv\u00edvio familiar, social, corporativo e at\u00e9 pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Era desejado que ao chegar ao mundo multipolar, com a maioria das pessoas sendo obrigadas a conviver em aglomera\u00e7\u00f5es urbanas, chegasse junto \u00e0 forma evolu\u00edda do respeito e da melhor cria\u00e7\u00e3o. Vale lembrar da met\u00e1fora da laranja, onde basta uma para estragar a caixa com mais de cem. No caso das laranjas, ao identificar e remover a podre, salvamos o resto da caixa. E no caso das exce\u00e7\u00f5es, dos novos formatos de malcriados, al\u00e9m da coragem de apontar que o jeito moderno da cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 passando no teste, \u00e9 necess\u00e1ria uma solu\u00e7\u00e3o que nos permita corrigir a rota, com efeito n\u00e3o muito diferente da criatividade que os pais das gera\u00e7\u00f5es anteriores tinham, para fazer seus filhos entenderem o erro, assumir as consequ\u00eancias, obedecer \u00e0s regras e se tornar bem educadinhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00c9 mais um assunto destes desprezados, tidos como irrelevantes ou mesmo ignorados por falta de ader\u00eancia quando foi posto. A tolice do isso n\u00e3o \u00e9 comigo, da avalia\u00e7\u00e3o que \u00e9 assunto chato, do descarte na ordem das prioridades, vai trazer um cen\u00e1rio curioso. Ao primeiro conflito gerado por um malcriado, uma das exce\u00e7\u00f5es aos que evolu\u00edram, mesmo sem ter qualquer contato com este texto, quem estiver envolvido, vai certamente perceber que n\u00e3o adianta combater o efeito sem dar aten\u00e7\u00e3o a causa. Pouco adianta reclamar do gosto do suco comprado, quando ignoramos que a laranja passou pelo manejo p\u00f3s-colheita e industrializa\u00e7\u00e3o, causando o estrago no tonel inteiro e sendo percebida somente quando j\u00e1 era tarde demais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Se vamos de a Cesar o que \u00e9 de Cesar, inclusive os problemas, se vamos de quem pariu Matheus que o embale, de ema ema cada um com seus problemas (com L ou R no meio da palavra) ou se vamos de n\u00e3o foi essa cria\u00e7\u00e3o que te dei, seremos a civiliza\u00e7\u00e3o mais carregada de tolices e sujeita a selvageria normalizada. Nosso suco para ficar bem bom, depende de como o fruto sair\u00e1 da \u00e1rvore, da aten\u00e7\u00e3o que ter\u00e1 no manejo, da qualifica\u00e7\u00e3o que receber\u00e1 na industrializa\u00e7\u00e3o e de como foi preparado antes do contato com o paladar. O deixa isso para l\u00e1, n\u00e3o demora e atingir\u00e1 o de c\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Malcriado foi durante muito tempo o jeito de se referir a uma crian\u00e7a \u201csem modos\u201d, de \u201cboca suja\u201d ou que cometia pequenas maldades, fazia o que era considerado ruim para uma crian\u00e7a fazer. 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