{"id":361,"date":"2025-04-13T17:26:03","date_gmt":"2025-04-13T20:26:03","guid":{"rendered":"https:\/\/antitolices.com.br\/?p=361"},"modified":"2025-04-13T17:34:23","modified_gmt":"2025-04-13T20:34:23","slug":"361","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antitolices.com.br\/?p=361","title":{"rendered":"Para N\u00f3s."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-normal-font-size\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A troca de m\u00e3os que carregam o piano, muda pouca coisa, continuar\u00e1 sendo m\u00e3os carregando um piano. Se n\u00e3o est\u00e1 bom, ser\u00e1 necess\u00e1ria outra fonte de for\u00e7a e movimento, um guindaste por exemplo. Continuando ruim, pode ser que o problema todo seja o piano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Estamos em um momento da trajet\u00f3ria humana, em que muitas coisas tidas como sagradas, no sentido da certeza de que est\u00e3o corretas, entram em choque com a realidade produzida por elas. O dinheiro e a forma como nos tornamos dependentes do fluxo que ele tem, o ac\u00famulo de riquezas, o parlamento, o sistema de freios e contrapesos aos poderes do estado, o territ\u00f3rio e o comando dos estados e na\u00e7\u00f5es. S\u00e3o incont\u00e1veis os escritos e falas colocando em d\u00favida o que sab\u00edamos, acredit\u00e1vamos e defend\u00edamos como indiscut\u00edveis, insubstitu\u00edveis. Observe que n\u00e3o h\u00e1 proposi\u00e7\u00f5es com apoio popular, que tenham em suas bases a mudan\u00e7a da l\u00f3gica no que est\u00e1 sendo questionado. Na quase totalidade das proposi\u00e7\u00f5es, troca-se apenas de m\u00e3os, continua a dificuldade no carregamento do piano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Uma destas certezas questionadas, que afeta a maioria e talvez todas as pessoas, \u00e9 o trabalho. De um lado a busca por melhores condi\u00e7\u00f5es, algumas vezes simplesmente humanizando o que est\u00e1 distorcido, a busca de algum agradinho que possa compensar todo o sacrif\u00edcio. Do outro, a velha conversinha de que n\u00e3o tem quem queira trabalhar ou n\u00e3o tem pessoas qualificadas. Aos que desejam melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, \u00e9 dado uma resposta r\u00e1pida, do tipo apagando inc\u00eandio. Aos da conversinha mole da falta de empregados, a resposta \u00e9 mais simples e indigesta: tem sim, mas, tem que pagar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Esta rela\u00e7\u00e3o de conflitos entre lados com interesses t\u00e3o distintos, permanecer\u00e1 eternamente, enquanto a l\u00f3gica inicial for: o teu trabalho gera ganho para mim. N\u00e3o adiantar\u00e1 repetir frases e racioc\u00ednios contestando essa l\u00f3gica ou tentando provar que os dois lados est\u00e3o ganhando. Pior do que isso, somente se teu pensamento for para a bobagem comum da falsa propor\u00e7\u00e3o criada com algo parecido a: os propriet\u00e1rios t\u00eam todos os custos, n\u00e3o ganham cem por cento. \u00c9 falso e cruel este pensamento, por desconsiderar que o ganho para cobrir os tais custos do patr\u00e3o, \u00e9 desproporcional ao ganho de quem trabalha para ele, que tamb\u00e9m tem custos para realizar este trabalho. Aqui entra a primeira analogia com o carregamento do piano, por tudo que \u00e9 proposto direcionar a um \u00fanico caminho: quem trabalha sonhar em ser patr\u00e3o. Nada muda, porque ao realizar, vai dar continuidade a l\u00f3gica inicial (o teu trabalho gera ganho para mim).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E se no in\u00edcio da conversa, mud\u00e1ssemos para o nosso trabalho gera ganho para n\u00f3s? Ao ler isso, se veio ao teu pensamento o cooperativismo j\u00e1 existente, lamento. O que responde \u00e0 pergunta \u00e9 outra forma de pensar o sentido do trabalho, \u00e9 fazer exerc\u00edcio de proje\u00e7\u00f5es que sejam diferentes da realidade em que estamos agora. Comece pela percep\u00e7\u00e3o mais b\u00e1sica, analise o ciclo em que est\u00e1 inserida uma necessidade vital, a alimenta\u00e7\u00e3o. Uma simples pergunta, tem resposta preocupante: quantos de n\u00f3s, hoje, sobreviveriam caso fosse necess\u00e1rio plantar e preparar a pr\u00f3pria comida? Seja qual for a tua soma de sobreviventes, lembre-se que mesmo sabendo plantar, teria que ter onde plantar e o que comer enquanto a natureza cuida de gerar bons frutos. Hoje, o trabalho de quem planta (sentido de produz comida) gera alimento para quem paga para comer. Plante, \u00e9 muito diferente de vamos plantar, assim como fa\u00e7a para mim que eu pago, \u00e9 diferente de fa\u00e7amos juntos sem necessidade de pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O sonho de prosperar e ser propriet\u00e1rio ao inv\u00e9s de trabalhador, bagun\u00e7ou a exist\u00eancia da coletividade na vida do ser humano. Este sonho tem rela\u00e7\u00e3o com o sedutor poder. J\u00e1 temos o tempo necess\u00e1rio para entender que a l\u00f3gica atual do trabalho, nos fez infelizes, vulner\u00e1veis, cru\u00e9is e desumanizados. Quando temos um empregado que ao perceber a injusta divis\u00e3o entre o ganho do propriet\u00e1rio e o dele, rompe a rela\u00e7\u00e3o e passa fazer o mesmo trabalho no formato que aprendeu a chamar de \u201cpor conta pr\u00f3pria\u201d, temos a tend\u00eancia de acreditar que este \u00e9 o melhor ou o \u00fanico caminho. At\u00e9 o momento em que ouvimos do antes empregado, a famosa frase: \u201cservi\u00e7o tem de sobra, o que falta \u00e9 gente com vontade de trabalhar\u201d. A premissa \u201cfa\u00e7a para mim que eu pago\u201d, parecia ter sido rompida neste caso, mas, na pr\u00e1tica n\u00e3o foi. Antes o trabalho do empregado gerava ganho ao propriet\u00e1rio \u2013 esque\u00e7a a ideia de sal\u00e1rio como ganho para quem trabalha \u2013 e incomodava. Agora, desejar ter empregados para repetir o que fazia o propriet\u00e1rio, n\u00e3o incomoda mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mesmo parecendo bizarrice projetar o resultado de dar outro sentido ao trabalho, somos todos os dias convidados a fazer. \u00c9 um convite para uma festa estanha e com gente esquisita, a m\u00fasica parece louca e a comida ex\u00f3tica, o lugar parece desconfort\u00e1vel e a hora impr\u00f3pria. Mas, ao entrar a coisa toda muda, porque a festa \u00e9 de livre acesso a todas as pessoas e muito melhor do que as que conhec\u00edamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tolice \u00e9 acreditar que a rela\u00e7\u00e3o que temos com o trabalho \u00e9 justa e correta. Mais tolice ainda \u00e9 acreditar (e aceitar) as bobagens que s\u00e3o usadas para justificar a eterniza\u00e7\u00e3o das figuras dos trabalhadores e dos propriet\u00e1rios. Esta \u00e9 uma verdadeira rela\u00e7\u00e3o entre poder e obedi\u00eancia obrigat\u00f3ria. \u00c9 falso que o investimento justifica o ganho com o trabalho dos outros. T\u00e3o falso quanto usar \u201cbenef\u00edcios\u201d do tipo vale ou aux\u00edlio transporte, vale ou aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o, plano de sa\u00fade com coparticipa\u00e7\u00e3o, como compensa\u00e7\u00f5es para equalizar o ganho de quem trabalha com o dos propriet\u00e1rios. Falso que todos cooperamos e dividimos o resultado. Falso tamb\u00e9m que \u00e9 justo existir os donos do capital, \u00e9 m\u00e9rito deles. S\u00e3o palavras, conceitos e premissas que se tornaram verdadeiras tolices, a partir do momento em que se deu significados distorcidos a eles, propositalmente. Quando a pessoa n\u00e3o sabe o que \u00e9 determinada coisa, qualquer que seja o dito que significa, ser\u00e1 entendido como verdade. Sal\u00e1rio vira renda, carga hor\u00e1ria vira compromisso e cumprir vira sinal de maturidade, responsabilidade. A lista \u00e9 grande, talvez proporcional ao tamanho das distor\u00e7\u00f5es dos significados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O sentido de trabalho e a forma como vamos us\u00e1-lo para o verdadeiro ganho coletivo, a troca de para eu por para n\u00f3s (de verdade), j\u00e1 tem um come\u00e7o de conversa. E mesmo que o resultado seja ainda t\u00edmido, sufocado pelas fal\u00e1cias e fantasias do que aceitamos como certo, vai aumentar o tom, a medida em que a desigualdade provocada pelo sistema atual, atinja n\u00edveis ainda mais insuport\u00e1veis que os de hoje. Tolice \u00e9 aplaudir algo como jornada reduzida ou brigar por liberais versus conservadores. Continuar\u00e1 sendo a troca de m\u00e3os para carregar o piano. N\u00e3o precisamos de m\u00e3os diferentes carregar o piano que nenhuma delas sabe toc\u00e1-lo. Ser\u00e1 justo quando o nosso trabalho permitir que tenhamos pianistas de sobra e felizes.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A troca de m\u00e3os que carregam o piano, muda pouca coisa, continuar\u00e1 sendo m\u00e3os carregando um piano. Se n\u00e3o est\u00e1 bom, ser\u00e1 necess\u00e1ria outra fonte de for\u00e7a e movimento, um guindaste por exemplo. 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