{"id":192,"date":"2024-01-05T12:29:13","date_gmt":"2024-01-05T15:29:13","guid":{"rendered":"https:\/\/antitolices.com.br\/?p=192"},"modified":"2024-01-05T12:29:13","modified_gmt":"2024-01-05T15:29:13","slug":"disfarca-e-continua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antitolices.com.br\/?p=192","title":{"rendered":"Disfar\u00e7a e Continua."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0N\u00e3o sabemos como eliminar a desigualdade. Sabemos como reduzir. Assunto chato para um extremo, urgente para o outro e fora de foco para quem est\u00e1 neste momento em busca de aceita\u00e7\u00e3o, pertencimento, alcan\u00e7ar o que parece ser muito bom. De forma ir\u00f4nica, o grupo com maior n\u00famero de pessoas, sob o maior impacto do problema, n\u00e3o sabe do que se trata. Nem tudo est\u00e1 perdido, j\u00e1 \u00e9 percept\u00edvel o aumento no n\u00famero daqueles que percebem que est\u00e3o alimentando um sistema ruim, que na pr\u00e1tica \u00e9 semelhante aos anteriores, mesmo que distantes mil\u00eanios de hoje. Os ciclos de poder se repetem, as divis\u00f5es sociais tamb\u00e9m, classificados com palavras diferentes que apesar dos disfarces, o significado delas \u00e9 o mesmo. Parece enrolado? Sim, e \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Quanto mais enrolado para entrar no assunto, explicar, argumentar, melhor para quem est\u00e1 no extremo superior de acesso a riqueza e poder. A confirma\u00e7\u00e3o deste ponto vem da quantidade de estudos, debates, livros, agora tamb\u00e9m entrevistas, v\u00eddeos e opini\u00f5es, com o tema exato ou relacionado a desigualdade. Seres humanos, sem trapacear, jamais ter\u00e3o capacidade f\u00edsica para acessar, ler, ouvir e entender o que est\u00e1 dispon\u00edvel, publicado. Como exemplo, partindo apenas de dois dos mais importantes e mais citados autores, Karl Marx e Adam Smith; o tempo necess\u00e1rio para acessar a obra deles, estudar e entender, j\u00e1 exclui muitas pessoas do grupo habilitado a falar sobre o assunto. Especialmente as ocupadas das 8:00 \u00e0s 18:00 horas, de segunda a sexta, em atividade profissional obrigat\u00f3ria (trabalho). Como o ser humano n\u00e3o tem a capacidade natural para realizar esta tarefa, toda produ\u00e7\u00e3o como linhas de pesquisa ou interpreta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o diretamente realizadas pelos dois autores citados, ser\u00e1 simplesmente um desperd\u00edcio de papel ou bytes. E aqui entra o interesse impl\u00edcito da camada social superior, de que os abaixo deles n\u00e3o tenham condi\u00e7\u00f5es de conhecer a fundo as bases te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas do sistema constru\u00eddos por um grupo aparentemente indissol\u00favel. Sendo assim, os que n\u00e3o conseguem alcan\u00e7ar este grupo, a casta superior, n\u00e3o chegam a incomodar ou criar problemas graves, por consequ\u00eancia se mant\u00e9m controlado o risco de rompimento, revolu\u00e7\u00f5es ou insurg\u00eancia. Continua enrolado? Sim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Sempre ser\u00e1 um assunto enrolado, por ter feridas abertas, dogmas, comparativos toscos e muito mais conte\u00fado de apelo emocional do que racional. Quando ou\u00e7o algo parecido com: \u201ctemos milhares de exemplos de sucesso, a pessoa tal que come\u00e7ou do zero, sem nada de recursos e fez fortuna\u201d. Logo em seguida, lembro de no mesmo per\u00edodo, para bilh\u00f5es de pessoas, sequer a oportunidade se apresentou, nem mesmo foi poss\u00edvel pensar em fazer igual, inspirar-se em est\u00f3rias midi\u00e1ticas e tentar alcan\u00e7ar a turma poderosa. Por isso afirmo que n\u00e3o sabemos como eliminar a desigualdade social. Com a mesma receita (f\u00f3rmula) aplicada para duas pessoas diferentes, n\u00e3o \u00e9 garantido o mesmo resultado. Assim, seguimos com as mesmas divis\u00f5es sociais por mil\u00eanios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Quando olhamos a hist\u00f3ria sem vi\u00e9s, sem paix\u00f5es, podemos perceber que nos sistemas sociais anteriores ao atual, mesmo que em territ\u00f3rios e povos diferentes, a ruptura ocorreu de forma semelhante. Ao dilatar a dist\u00e2ncia entre as camadas sociais, ao ter desigualdade abismal entre o topo e o fundo, qualquer per\u00edodo hist\u00f3rico observado registra revoltas, rompimentos e at\u00e9 guerras onde o fundo cansou de alimentar o topo. Escrevo este texto em 2024 e em grandes cidades, por mais que alguns queiram negar, ocorre um fen\u00f4meno social que sinaliza o cansa\u00e7o da classe ao fundo. Algumas pessoas est\u00e3o deixando de valorizar o status de empregado, partindo para pequenos neg\u00f3cios ou trabalhos aut\u00f4nomos, considerando que n\u00e3o faz sentido alimentar o \u201cpatr\u00e3o\u201d em troca de migalhas (sal\u00e1rio) que jamais proporcionar\u00e3o os mesmos acessos a bens, produtos de consumo e lugares que a classe do topo tem com facilidade. Come\u00e7a a ficar mais dif\u00edcil para o \u201cpatr\u00e3o\u201d encontrar empregados que aceitem o trabalho tradicional. Observa-se tamb\u00e9m, que em casos frequentes, o ganho nos pequenos neg\u00f3cios ou trabalhos aut\u00f4nomos, \u00e9 menor do que o sal\u00e1rio recebido antes do rompimento, por\u00e9m, a forma de viver e usar o tempo em benef\u00edcio pr\u00f3prio, justifica o feito, com argumentos fortes. Continua existindo a desigualdade, \u00e9 fato, mas, sinaliza o in\u00edcio do rompimento, semelhante ao que fez ruir imp\u00e9rios, feudos, reinos, na\u00e7\u00f5es e todos os formatos onde o poder e a riqueza estavam concentrados em grupos pequenos, alimentados pelo trabalho de \u201cs\u00faditos\u201d. Este trabalho gerador da riqueza, sempre esteve a cargo de um grupo enorme e induzido a acreditar que \u00e9 normal alimentar a fortuna e poder do \u201cpatr\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Sem muito esfor\u00e7o intelectual, \u00e9 poss\u00edvel perceber que atingimos desigualdade em escala intoler\u00e1vel. Com algumas excentricidades que com toda certeza ser\u00e3o alvo de estudos e observa\u00e7\u00f5es de historiadores, passado o tempo que permita an\u00e1lise do nosso per\u00edodo atual. Um exemplo f\u00e1cil: a pessoa considerada como a mais rica do mundo, com a maior fortuna individual, n\u00e3o \u00e9 a mais poderosa, nem mesmo pode utilizar o dinheiro para conquistar respeito e ser unanimidade com biografia inquestion\u00e1vel. Para alguns \u00e9 um semideus, para outros \u00e9 motivo de piadas e muitos sequer ouviram falar dele. Al\u00e9m de n\u00e3o ter uma explica\u00e7\u00e3o, este exemplo abre outras perguntas relacionadas ao mesmo tema. A soma da fortuna conhecida de uma pessoa, n\u00e3o sendo totalmente tang\u00edvel, serve a qual prop\u00f3sito? A dist\u00e2ncia entre a fortuna da pessoa mais rica do mundo atual e o acumulado por um empregado dele em d\u00e9cadas de servi\u00e7os prestados, \u00e9 de justa exist\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Sair deste assunto sem aumentar as d\u00favidas que o tornam enrolado, \u00e9 imposs\u00edvel. A \u00fanica certeza que proponho \u00e9 que sem desigualdade social n\u00e3o existe capitalismo. Calma, n\u00e3o sou comunista e n\u00e3o estou desejando o fim do capitalismo. Neste momento da hist\u00f3ria, n\u00e3o temos sequer uma alternativa real que seja agrad\u00e1vel, que tenha boa aceita\u00e7\u00e3o e viabilidade para substituir o atual sistema. Ele ter\u00e1 o mesmo destino dos sistemas anteriores e os sinais de que est\u00e1 em colapso, s\u00e3o mais do que evidentes e \u00f3bvios. E a desigualdade p\u00f3s capitalismo? Continuar\u00e1 existindo. Tem sido assim desde sempre. Muda o nome, passa um perfume, enfeita a descri\u00e7\u00e3o e repete a hist\u00f3ria, com alguns ajustes para n\u00e3o expor toda a verdade. Depois de algum tempo, a numerosa parte da sociedade que est\u00e1 no fundo se rebela contra o topo e surge um novo per\u00edodo, com cen\u00e1rio diferente para o mesmo teatro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Desigualdade s\u00f3 importa quando eventualmente algu\u00e9m que acreditava estar no topo, de repente percebe que faz parte do fundo e come\u00e7a a organizar uma revolta geral. Sem isso, \u00e9 administrada tranquilamente, sem risco de extin\u00e7\u00e3o. Reduzir \u00e9 poss\u00edvel, mas, at\u00e9 hoje, n\u00e3o se sabe como fazer para eliminar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0N\u00e3o sabemos como eliminar a desigualdade. Sabemos como reduzir. Assunto chato para um extremo, urgente para o outro e fora de foco para quem est\u00e1 neste momento em busca de aceita\u00e7\u00e3o, pertencimento, alcan\u00e7ar o que parece ser muito bom. 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